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Afinal, como devo passar pelo luto?

Foto do escritor: Fe Araújo
Fe Araújo
8 de nov. de 2022
4 min de leitura

Atualizado: há 2 horas

Eu tenho pensado muito nesses últimos dias sobre o processo de luto, e percebi que eu tenho me negado a passar por ele. Enchi minha cabeça de várias coisas (sigo enchendo) pra não pensar em tudo que passei nos últimos 9 meses e percebi que tenho evitado falar sobre muita coisa e “fingido” estar tudo bem! 🫠


A verdade é que eu tive que ser forte por mim e pelo meu pai, e agora que ele se foi estou evitando “largar essa armadura”, por medo de todos os sentimentos que eu sei que vão vir, e tudo isso tem me feito muito mal.


Eu sempre tive consciência de que meu pai morreria. Talvez seja loucura para alguns, mas de certa forma Deus já estava me alertando de que a doença dele não teria cura. Sempre que eu ia orar pedindo pela cura, minha oração não fluía, mas eu sempre era direcionada a orar pela salvação dele.


No dia 11 de agosto, meu pai já estava internado na ala paliativa do hospital, com o diagnóstico de que ele não voltaria para casa, e eu escrevi isso aqui:

👉🏻 “Dores de parto” Dias depois, conversando com a minha psicóloga, estávamos falando sobre todo o tempo de processo que eu tava passando com meu pai, e ela falou "Fernanda, são 9 meses…", e eu juro que na hora eu lembrei desse texto, e da frase que estava martelando na minha mente "Dores de Parto", e adivinhem só? Meu pai morreu 9 meses depois que descobrimos o câncer!


Não, isso não é coincidência: Deus estava preparando meu coração, e, com pequenos sinais, Ele já vinha me alertando!


Meu pai recebeu Jesus, e meu coração segue aliviado em saber que de fato hoje ele está com Deus, e que um dia eu vou me encontrar novamente com ele em um lugar onde não haverá choro, doença nem nenhum tipo de sofrimento.


PORÉM, foram 09 meses de um processo MUITO pesado pra mim. Se, por um lado, meu coração se alegra em saber que ele está com Deus e um dia eu o verei novamente, por outro lado eu me encontro totalmente quebrada por dentro ao lembrar de tudo o que passamos enquanto ele ainda estava vivo.


E aqui eu volto pro assunto inicial: eu literalmente enchi minha cabeça de coisas, larguei a terapia, me ocupei com tudo que eu achava que daria conta, só pra não pensar no meu pai. Já faz 2 meses que meu pai partiu, e eu literalmente não consegui olhar pra uma foto dele, ou pisar na casa que era dele. Tenho evitado tudo que me faça lembrar dele, e não pense que escrever sobre isso esteja sendo fácil agora, porque realmente não está.


No dia em que meu pai faleceu, a situação estava bem crítica, ele já estava confuso havia alguns dias, mas nesse dia em específico ele perdeu alguns sentidos, e a última coisa que ele falou é que eu era a garotinha dele. Horas depois, já sem conseguir falar, ele apertava a minha mão como se quisesse falar algo. Mais tarde, eu escutei ele dando a última respiração e então ele teve o tão merecido descanso.


E esse foi o pior dia da minha vida!


E a verdade é que eu fui muito tola em achar que eu poderia me esquecer de tudo isso (e eu não contei nem metade de tudo que aconteceu) em tão pouco tempo, em achar que eu poderia evitar o luto se eu simplesmente me esquecesse de tudo que passei, me ocupando com trabalho e tantas outras coisas.


E eu achei mesmo que poderia dar certo, evitei até mesmo falar com Deus, pois sabia que de certo modo eu teria que abrir o meu coração pra Ele, mas, na verdade, só piorei a minha situação!


Mas, afinal, como devo passar pelo luto? Acho que agora eu vou começar a entrar no processo de descobrir a resposta para essa pergunta. A única coisa que eu posso falar agora é que finalmente resolvi tirar a minha armadura!


Assim como Deus esteve presente em todos os momentos da minha vida, sei que agora não será diferente. E, parando pra pensar, o cuidado dEle nunca foi tão notório como está sendo agora. Ele sempre esteve presente, o problema é que eu fechei o coração pra tudo e todos, só pra evitar o sofrimento que era inevitável. Deus já havia me falado que depois da dor vem a alegria, uma alegria que ninguém jamais poderia tirar de mim, mas eu tive a proeza de nesse processo de tentar esquecer, esquecer também de tudo que ELE já havia me falado.


E eu não vou concluir com nenhum conselho do tipo: "Não façam como eu", porque a gente nunca sabe como vai reagir diante de uma situação de extremo sofrimento, mas o que Deus tem ministrado no meu coração é que nesse momento eu não preciso ser forte, que é normal ter fraquezas, que é normal sermos frágeis, e que ELE é o maior interessado em curar nossas feridas.


Encerro esse texto com o coração um pouco mais aliviado e com minha terapia marcada (já tava na hora, né? kkk)


Tenho certeza de que nesse processo de cura, Deus irá realizar (já está realizando) uma obra linda na minha vida emocional, e eu quero muito poder compartilhar tudo com vocês!



"Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu darei descanso a vocês" (Mateus 11:28)


Até a próxima! ❤️


 
 
 

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O livro e o marcador

O LIVRO

Muitas dessas dores viraram poesia no livro “Transformei em poesia a minha dor”.

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